A partir de amanhã, o Brasil inicia mais uma mobilização fundamental para os dias atuais: o Abril Verde, que visa promover a segurança e a saúde no trabalho, prevenindo acidentes e doenças laborais. O objetivo é divulgar os direitos dos trabalhadores, conscientizar as empresas e estimular políticas públicas voltadas para o tema. Reconhecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a iniciativa procura incentivar a adoção de práticas que garantam um ambiente seguro e saudável aos empregados. Diante da realidade nacional, o esforço nesse sentido é urgente.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontaram que, em 2023, houve 2.888 acidentes com morte no país. O sistema ainda registrou um total de 499.955 ocorrências — em ambos os casos, especialistas acreditam que a subnotificação reduz a estatística. Entre os setores que mais tiveram óbitos e lesões estavam construção civil, com as causas relacionadas a quedas de altura, soterramento e choque elétrico, e transporte rodoviário de cargas e passageiros, motivados por fadiga dos motoristas, uso de remédios e de drogas, além de fatores como falta de manutenção nos caminhões/ônibus e rodovias precárias.

Já entre 2012 e 2022, segundo levantamento realizado pelo Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho, foram notificados 6.774.543 acidentes e 25.492 mortes. Também conforme o estudo, mais de R$ 150 milhões foram gastos com afastamentos de funcionários decorrentes de suas atividades de sustento. Os números são assustadores e exigem ações que resolvam o problema. Para os empregados, técnicas melhores, estruturas ideais e supervisão adequada significam qualidade de vida em sentido amplo — dentro e fora do local de labuta. Para os empregadores, a prevenção de acidentes e de doenças ocupacionais leva à redução dos custos, tanto em termos de tratamento médico e afastamentos quanto em multas e indenizações.

O alarmante é que as mortes e as enfermidades poderiam ser evitadas: medidas de prevenção e investimento correto em cuidados, com respeito total às regras de segurança, eliminariam o sofrimento de incontáveis famílias. Com eventos traumáticos frequentes — que levam a óbitos, sequelas e desenvolvimento de enfermidades — o país perde diariamente. Identificar os perigos, e acabar com eles, é tarefa de empresários, sindicatos, organizações e governos.

Outro ponto é o adoecimento mental. Ansiedade, síndrome do pânico, depressão e burnout têm aparecido cada vez mais nos pedidos de afastamento ocupacional. De acordo com o Ministério da Previdência Social, em 2024 foram quase meio milhão de licenças — 472.328 —, a maior quantidade em ao menos 10 anos. O aumento dos transtornos fez com que o MTE atualizasse a NR-1, que dita diretrizes sobre saúde no ambiente laboral. A partir de 26 de maio deste ano, os "riscos psicossociais" fazem parte da norma, e o descumprimento pode, inclusive, acarretar sanção financeira.

Porém, muito mais importante do que o dinheiro é a preocupação com a preservação da vida e com o bem-estar dos trabalhadores brasileiros. A cobrança dos direitos e a atenção com a prevenção devem guiar a convivência entre empregado e empregador. Que o Brasil aproveite as campanhas características do mês que chega para debater e buscar propostas eficazes na área de saúde ocupacional. A responsabilidade social e a ética empresarial precisam conquistar espaço no país, promovendo uma mudança estrutural nas relações de trabalho.

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