Desde a popularização dos cartões de crédito, a partir da década de 1990, o dinheiro em espécie vem perdendo espaço na rotina dos consumidores paranaenses. Com a chegada do Pix, em 2020, essa transformação ganhou ainda mais força e acelerou a migração para os meios de pagamento digitais. A mudança já é percebida no Paraná e também altera a rotina das empresas que operam os carros-fortes.

O Pix se consolidou como o meio de pagamento favorito dos paranaenses: somente em agosto, movimentou R$ 65,1 bilhões no estado, alta de 14,2% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados do Banco Central divulgados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

Os cartões de crédito também mantêm participação importante, respondendo por mais de 44% das compras de maior valor, como eletrônicos e vestuário, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Em todo o país, a previsão é de R$ 5 trilhões em transações com cartões em 2026.


Enquanto Pix e cartões ganham espaço, o papel-moeda aparece cada vez menos entre as opções preferidas para as compras. Um levantamento da Fecomércio PR e do Sebrae/PR mostra que 7,8% dos consumidores pretendiam pagar em dinheiro em 2026, considerando os levantamentos realizados entre o Dia das Crianças de 2025 e o Dia dos Pais de 2026. O percentual ficou abaixo dos 8,7% registrados no fim de 2025.

Para Sérgio Czajkowski, professor de Negócios Digitais, Inovação e Inteligência Artificial dos cursos da UniCuritiba, a preferência pelos pagamentos digitais acompanha uma transformação social, tecnológica e financeira. “O PIX prosperou não só porque ele é uma evolução econômica e tecnológica, mas porque tem uma população que comprou essa ideia e passou a adotar no seu dia a dia”, explica

A mudança no comportamento do consumidor também produz efeitos em diferentes etapas do sistema financeiro. Além dos bancos, que acompanham a digitalização dos pagamentos, os impactos chegam aos comércios, empreendedores e ao setor de transporte de valores, responsável pela operação dos carros-fortes.

Menos carros-fortes?
Na visão do especialista, a transformação dos meios de pagamento exige adaptação do setor. “Não é que os métodos de pagamento vão envelhecendo. Eles se tornam mais ou menos populares dependendo do período histórico e, dependendo, logicamente, dos interesses que as pessoas têm”, explica. “Não adianta, muitas vezes, estar disposto a utilizar o PIX, sendo que o comerciante na outra ponta não utiliza”, completa.

Para as empresas de transporte de valores, o novo comportamento significa adaptar rotas, equipamentos e serviços a um cenário em que o papel-moeda continua circulando, mas de forma diferente.

“A gente continua passando nas agências para fazer a coleta ou o próprio abastecimento, o numerário ainda continua circulando. Existe uma retração relacionada à necessidade de coleta e de abastecer os caixas eletrônicos, mas ela não representa um valor tão significativo”, explica Pedro Henrique de Andrade, gerente corporativo de logística do Grupo Protege.

Segundo ele, houve redução na necessidade de coleta e abastecimento de caixas eletrônicos, mas a pulverização do varejo e dos clientes faz com que essa queda não seja uniforme. Enquanto um estabelecimento pode reduzir a demanda por dinheiro em espécie, outro continua movimentando grandes volumes. O cenário ajuda a explicar por que a transformação dos meios de pagamento não representa, necessariamente, o fim dos carrosfortes.

Mudanças no setor

Mais segurança ou nova tática?

Fim do papel-moeda?

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