Um dos crimes que marcou Mato Grosso foi o assalto à agência da Brinks, em Confresa (1.160 km de Cuiabá), no ano de 2023. O assalto terminou com dezoito criminosos mortos e nenhum real foi retirado da agência. Passados três anos, uma megaoperação da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) mirou mais 27 envolvidos nesse intricado esquema criminoso, que contou com a participação de empresários, faccionados do Primeiro Comando da Capital, criminosos envolvidos em outros assaltos a banco e até mesmo um especialista em mata fechada, que conseguiu escapar da polícia em 2023.
Durante coletiva de imprensa, o delegado Igor Sasaki, da GCCO, revelou que todos os 27 alvos de prisão da 3ª fase da Operação Pentágono estavam envolvidos, em diferentes formas, do assalto. A investigação conseguiu revelar que o grupo era organizado em seis núcleos específicos (1) Núcleo de comando e financeiro, (2) Núcleo de planejamento e logística, (3) Núcleo de execução, (4) Núcleo de apoio e suporte no estado do Pará, (5) Núcleo de apoio e suporte no estado do Tocantins e (6) Núcleo de locação veicular, responsável pelo apoio durante a fuga.
“Um deles (criminoso), por exemplo, já está preso em São Paulo, mas participou de toda a organização desse crime, inclusive participou de um dos maiores roubos no Paraguai, na cidade do Leste, onde a organização criminosa subtraiu 11 milhões de dólares. Ele foi alvo também da nossa operação, demonstrando que se trata de uma organização criminosa complexa, espalhada e financiada pelos mais diversos estados do Brasil", afirmou Igor Sasaki.
Outra fatia do grupo era composta por membros que tinham ligação com o Primeiro Comando da Capital, porém não há indícios que o assalto à agência foi financiado pela facção criminosa, que domina o crime organizado em diversos estados do Brasil e que também tem sua esfera de influência em Mato Grosso, onde disputa território com o Comando Vermelho.
Alguns deles têm ligação com a facção criminosa paulista, mas o financiamento vem de diversos consortes, empresários e pessoas comuns”, explicou. Outro financiador do grupo criminoso, identificado como “Velho Ban” morreu em um confronto no ano de 2024, no estado do Maranhão. Velho Ban havia participado de vários roubos, tinha seis mandados de prisão em aberto e havia comprado uma fazenda por R$ 5 milhões, propriedade essa que seria quitada 15 dias após o assalto, caso ele desse certo.
Outra figura que atuou como suporte ao grupo criminoso, mais especificamente na fuga, foi um barqueiro. O homem havia conseguido fugir do cerco policial e vivia em uma zona rural de difícil acesso. Os policiais que fizeram sua captura, precisaram percorrer mais de 2.700 km para prendê-lo.
Divisão por núcleos
Além da complexidade da ação articulada pelo grupo criminoso, a investigação relativa ao maior crime patrimonial da história de Mato Grosso revelou a participação de, pelo menos, 50 pessoas no crime e a existência de lideranças de comando e financeiras, bem como a divisão em núcleos dentro da estrutura.
As atividades criminosas, desempenhadas em várias cidades de diversos estados do Brasil, tinham como objetivo principal consumar com sucesso a empreitada criminosa mediante o “domínio de cidades”.
As atividades criminosas, desempenhadas em várias cidades de diversos estados do Brasil, tinham como objetivo principal consumar com sucesso a empreitada criminosa mediante o “domínio de cidades”.
Financiamento dos crimes
Os valores ilícitos movimentados pelos integrantes do grupo criminoso, notadamente os componentes do Núcleo de Comando e Financeiro, são oriundos de outras ações de grande magnitude de roubo a banco e a transportadoras de valores ocorridas no Brasil ao longo dos últimos ano.
A investigação apurou que vários investigados e armas de fogo apreendidas tiveram envolvimento em outras grandes ações criminosas, além de inúmeras outras ações de médio e pequeno porte que serviram como crimes antecedentes para a posterior lavagem de dinheiro operada pela organização criminosa. Segundo o delegado titular da GCCO, Gustavo Belão, esta fase final da operação é um marco para a Polícia Civil de Mato Grosso, cujo foco recai sobre os núcleos de execução e apoio logístico, de comando intelectual e financeiro.
“São criminosos que planejaram, financiaram e executaram a logística do terror vivenciado naquele dia na cidade de Confresa, sendo que pelo menos quatro alvos estiveram na linha de frente do crime. O trabalho demonstra que não há fronteiras para a Justiça, seja ele o financiador do Sudeste ou o financiador no Norte, todos serão responsabilizados pelo crime”, destacou.
(Com informações da assessoria).
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